
Juan
Uviedo
in memoriam
Diretor teatral, dramaturgo, ativista social e terapeuta, o argentino Juan Uviedo construiu uma trajetória marcada pela experimentação e atitude transgressora.
Foi uma figura de destaque no teatro de vanguarda nas décadas de 1960 a 1980. Na Argentina, fundou e liderou o Taller de Investigación Teatral (TIT), um grupo que promovia um teatro de impacto com forte engajamento social e político, inspirado por autores como Antonin Artaud.
A repressão política da ditadura militar argentina o levou ao exílio no Brasil na década de 1980. Após um período em São Paulo, ele se estabeleceu em São Tomé das Letras (MG).
Na cidade, ele se tornou conhecido como uma figura atuante nos campos da cultura e ação social. Juan Uviedo faleceu em 2009, deixando um legado que une militância política, experimentação teatral e espiritualidade. Sua trajetória inspirou o documentário El Provocador.

Teatro
Juan Uviedo construiu uma intensa trajetória internacional marcada pela vanguarda e pelo confronto com estruturas rígidas. Percorreu a Europa e os Estados Unidos, dirigindo montagens experimentais em locais como a lendária companhia La MaMa, em Nova York, e colaborando com mestres do teatro mundial como Peter Brook e Jerzy Grotowski. Sua atuação sempre foi provocadora: em Portugal, foi perseguido pelo regime salazarista ao dirigir o grupo universitário CITAC; no México e na Guatemala, liderou grupos e ocupou espaços públicos com performances que desafiavam o status quo. Essa vivência global de levar a arte para fora dos palcos tradicionais fundamentou o que viria a seguir.
O núcleo de sua atividade teatral foi o Taller de Investigación Teatral (TIT), fundado e dirigida por ele ao retornar à Argentina. O TIT era mais do que um grupo; era um centro de pesquisa que buscava romper com as formas convencionais, propondo o teatro de impacto como ferramenta para a consciência política e social. Uviedo criou suas próprias técnicas cênicas, produzindo espetáculos desenhados para provocar o público e instigar o debate. Durante o regime militar argentino, o TIT se tornou um instrumento de protesto e intervenção contra a ditadura. Em 1982, por conta do contexto político e da repressão, precisou deixar o país com a família, e escolheu o Brasil como seu novo lar.

